Crónica de uma viagem especial a Londres

Crónica de uma viagem especial a Londres

Por Elsa Ribeiro Gonçalves

Quando no início deste ano escrevi “Singularidades de uma Mulher de 40”, publicado pela Origami Livros, estava longe de imaginar que uns meses depois estaria a voar para Londres para dar uma palestra a um grupo de leitoras que se mobilizaram com esse objetivo: escutar a minha mensagem. Aprendi que os sonhos se realizam e agora tenho cada vez mais a certeza disso.

Elisa Peixoto e Licínia Brites, duas mulheres como tantas outras, decidiram mudar de vida após a leitura do meu livro. Decidiram voltar a ser felizes. As amigas notaram a diferença e perguntaram-lhes o segredo. E elas partilharam. Fez-se magia nestes corações e no meu.

Foi com alegria que recebi o convite para viajar para Londres e foi assim que na última sexta-feira, 21 de setembro, apanhei o avião para a capital britânica, para um fim-de-semana verdadeiramente memorável, onde o clima tipicamente inglês também se fez notar. Mas a chuva não iria estragar os planos de irmos passear, de manhã, até ao Palácio de Buckingham.

Após o almoço num pub inglês, apanhámos um Uber para fugir da chuva e deslocámo-nos para casa de Licínia, onde já aguardavam uma dezena de amigas suas. Ali estive mais de cinco horas, numa ótica de partilha, com as participantes a lerem em voz alta as páginas do livro que abriam aleatoriamente. Cada capítulo foi aprofundado com reflexões e houve lágrimas, risos e abraços. Uma das participantes tocou especialmente os corações ao cantar um fado que escreveu para o marido falecido. Nunca tinha cantado o fado e foi a primeira vez que o conseguiu fazer. Muitas lágrimas correram neste momento, porque quem canta com a alma como a Alice fez toca o coração de quem ouve.

Para mim, enquanto portadora da mensagem, foi muito gratificante participar neste encontro e, quando terminou, senti que ninguém tinha vontade de ir embora. Não é fácil arranjar tempo para olharmos para dentro de nós, para enfrentarmos as nossas sombras e, sim, ousarmos ir ao encontro da nossa luz interior tantas vezes abafada.

Depois de uma tarde mágica, resolvemos continuar o convívio no Pub “Famous Three Kings”, gerido pelo meu amigo de Tomar Nuno Rodrigues, onde brindámos à vida. O jantar foi regado a gargalhadas num restaurante turco ali perto, o único que estava aberto aquela hora e onde o empregado nos leu o futuro através das borras de café. Voltámos ao bar onde continuámos a celebrar, a partilhar, a ser autênticas. Que enorme gratidão ver aqueles sorrisos durante a noite.

Apanhei o voo de regresso a Portugal de coração cheio e com o sentimento de dever cumprido. O melhor de tudo é que me bastou ser eu própria. Ainda bem que a certa altura da minha vida decidi voltar a ser singular, largando a massa disforme em que me transformara pela formatação social. Espero que as minhas singularidades continuem a tocar o coração de muitas mulheres – e de homens também. É o meu singelo contributo para um mundo mais feliz. E que urgência há na felicidade!

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